Usar música, foto ou vídeo de outra pessoa no Instagram depende de autorização de quem detém os direitos, ou de um recurso da própria plataforma que já inclua essa permissão dentro das regras dela. Dar créditos, usar só alguns segundos ou não ganhar dinheiro com o post não substituem essa autorização. No Brasil, o tema é tratado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/1998), e a plataforma tem regras próprias de propriedade intelectual que podem levar à remoção do post e a avisos na conta. Abaixo, seis crenças comuns e o que se pode afirmar sobre cada uma. Como as regras da plataforma mudam, a central de ajuda do Instagram é a fonte final, e dúvidas sobre um caso específico pedem a orientação de um advogado.
"Se eu der os créditos, posso usar"
Esta é a crença mais repetida, e ela confunde duas coisas diferentes. Dar crédito é indicar quem fez a obra. Ter autorização é ter a permissão de quem detém os direitos para usá-la. Um post com "créditos ao autor" na legenda continua sendo uso sem permissão se ninguém autorizou.
O crédito é uma boa prática quando há autorização, porque reconhece o trabalho de quem criou. Sem autorização, ele apenas identifica de quem foi o conteúdo usado. O caminho correto é pedir permissão antes, guardar a resposta, e então publicar com o crédito.
A mesma lógica vale para frases que circulam em legendas, como "não possuo os direitos desta música" ou "sem intenção de violar direitos autorais". Elas não funcionam como autorização nem protegem o post de uma reclamação. Na prática, apenas confirmam que quem publicou sabia que o conteúdo era de outra pessoa.
"Até alguns segundos de música não tem problema"
Circulam regras como "até 15 segundos pode" ou "até 30 segundos não dá remoção". Não existe uma duração mínima que libere o uso de uma música protegida. Um trecho curto continua sendo parte da obra.
O que explica a crença é a observação de que alguns vídeos com trechos curtos não são removidos. Isso não significa que o uso foi permitido: o titular pode simplesmente não ter reclamado, ou o sistema de identificação pode não ter reconhecido aquele trecho. Uma reclamação posterior pode remover o post e gerar um aviso na conta, mesmo meses depois.
Exemplo hipotético: uma academia publica reels de treino com dez segundos de uma música famosa, baixada de um site de vídeos e colocada no editor externo. Durante semanas, nada acontece. Depois, vários reels são silenciados ou removidos de uma vez, e a conta passa a mostrar avisos de propriedade intelectual. O tempo curto de cada trecho não mudou nada; só atrasou o problema.
"Se a música está na biblioteca do aplicativo, posso usar em qualquer post"
A biblioteca de áudio do Instagram existe justamente para que as pessoas usem músicas dentro de regras definidas pela plataforma. Mas essas regras têm limites. É comum que contas comerciais vejam um catálogo mais restrito do que contas pessoais, e que o uso de músicas em conteúdo de marca, em parcerias pagas ou em anúncios tenha condições próprias.
Também é preciso lembrar que a permissão vale para o uso dentro da plataforma. Baixar o reel com a música e publicá-lo em outro lugar, ou usar a mesma faixa em um vídeo para o site do negócio, não está coberto pela biblioteca. Antes de usar música em post de venda ou anúncio, confira na central de ajuda o que vale para o seu tipo de conta e de conteúdo.
Quando a música desejada não aparece para a sua conta, há alternativas que não dependem de autorização de terceiros: o áudio original do próprio vídeo, como o som da cozinha ou da oficina, uma narração gravada por você, ou uma faixa que você tenha licenciado diretamente com quem detém os direitos, com a licença cobrindo o uso em redes sociais.
"Imagem que está no Google é de domínio público"
Aparecer em uma busca não muda nada sobre os direitos de uma imagem. Fotos, ilustrações e vídeos encontrados na internet têm autor, e o fato de estarem acessíveis não significa que podem ser usados.
Domínio público é outra coisa: são, em geral, obras cuja proteção já expirou. Obras que o autor liberou por uma licença de uso livre continuam protegidas e só podem ser usadas nas condições dessa licença. Bancos de imagens gratuitos também existem, mas cada um tem uma licença, e algumas proíbem uso comercial ou uso em que a imagem é o próprio produto vendido. Antes de usar uma imagem que não é sua, três perguntas ajudam: quem é o autor; qual licença ou autorização permite o uso; e se essa licença cobre uso comercial em redes sociais. Se alguma resposta for "não sei", não use. Para um perfil de negócio, o caminho mais seguro é usar imagens próprias. Fotos simples, bem iluminadas e feitas com o celular resolvem a maioria dos posts, como mostra o texto sobre por que melhorar a qualidade visual dos posts.
"Repostar o conteúdo de outro perfil é sempre permitido se eu marcar a pessoa"
Depende de como a repostagem é feita. Os recursos nativos de compartilhamento do Instagram, como enviar um post pelo Direct ou compartilhá-lo nos stories quando a opção aparece, mantêm o vínculo com o post original e seguem as configurações de quem publicou. Já baixar a foto ou o vídeo de outra pessoa e publicar de novo no seu feed é uma nova publicação, e para isso é preciso autorização, com ou sem marcação.
Isso vale também para conteúdo de clientes. Uma foto que um cliente postou usando o seu produto continua sendo dele. Para usá-la no feed, em anúncio ou no site, peça permissão por escrito, por exemplo, por mensagem, e guarde a resposta. O passo a passo para fazer isso sem parecer invasivo está no texto sobre como usar conteúdo gerado pelo usuário.
"Se o post não tem fins lucrativos, posso usar"
Não ganhar dinheiro com o post não cria uma autorização automática. Um perfil pessoal que publica uma música inteira de fundo, sem vender nada, pode ter o post removido do mesmo jeito que um perfil comercial.
A lei prevê algumas situações específicas em que obras podem ser usadas sem autorização, como a citação de trechos para crítica ou estudo, sempre com indicação da fonte e dentro de limites. Mas essas exceções são estreitas e dependem do caso concreto, e a plataforma pode aplicar as próprias regras mesmo quando o uso seria discutível juridicamente. Se o seu conteúdo depende de usar obras de terceiros, como um perfil de crítica de filmes ou de análise musical, vale conversar com um advogado especializado antes de montar a linha editorial. Para o perfil de um pequeno negócio, a regra prática é simples: música da biblioteca do aplicativo dentro das condições da sua conta, imagens próprias e conteúdo de terceiros só com permissão guardada.